Sobre a Galeria

Galeria Mundo Fantasma

Desde o início que a Banda Desenhada foi feita para ser impressa. Do tosco papel de jornal ao elaborado munken de 130 gramas, que a impressão, a passagem por uma máquina rotativa que produz centenas, milhares ou milhões de cópias, é condição fundamental para a existência de BD. Esta característica é tão verdadeira que, nos primórdios, o original não possuía qualquer importância. A quantidade de originais de obras que se perderam em toda a história da narrativa gráfica é imensa.
Mas se BD é narrativa gráfica, literatura com imagem — em imagens aliás —, a importância primeira da impressão e da consequente difusão como obra literária não retira (antes acrescenta) importância ao aspecto de arte visual. A palavra faz parte do desenho e o desenho faz parte das palavras. O texto é tudo. Foi, no entanto, preciso chegar aos anos 60 para que a importância que já era dada ao desenho, à prancha original, atingisse a condição de regra e não de excepção (com a entrada da BD, arte popular no Museu, espaço tradicional da arte erudita).

De então para cá o desenvolvimento foi impressionante. Se, paradoxalmente, atravessamos um momento em que o digital vem abalar o conceito do original, também vivemos um período em que a valorização do original atingiu o seu ponto mais alto. Os verdadeiros originais conservam-se, valorizam-se, transacionam-se, recuperam-se, classificam-se… tornam-se peças de museu e peças de investimento.

Paralelamente produzem-se novos originais destinados especificamente a um mercado florescente: desenhos inéditos reproduzem-se em tiragens limitadas, em serigrafias a “n” cores, em “prints” de papéis de enorme qualidade, nos novos “giclées” onde desenhos que nunca tiveram existência real em papel se encontram com o dito para a delícia do fã.

Para nós a afixação de um quadro com um original em qualquer parede pública teve sempre por objectivo trazer o público para a obra impressa e para a sua fruição como um todo.

Assim foi durante os anos em que colaboramos, desenvolvemos, criamos, montamos, organizamos, enfim, vivemos um dos mais eficazes e sucedidos festivais de Banda Desenhada do país (o Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto).

Provocar o encontro do público com o autor e a sua obra na exposição dos seus originais é um modo de valorizar a Banda Desenhada como Arte maior e de promover a sua essência,

Difundir e comercializar originais e reproduções é uma forma de incentivar o gosto e o apreço por uma Arte que nunca cessa de evoluir e crescer.

A galeria “Mundo Fantasma”, um projecto conjunto de Júlio Eme, Pedro Petracchi e José Rui, surgiu assim como consequência lógica do interesse e actividade na BD por parte dos seus mentores.

Do Comicarte e da sua Bedeteca – a primeira a ser criada no País – ao pioneiro “Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, do prestigiado fanzine/revista “Quadrado” à edição na MaisBD passando pelo importação e venda de banda desenhada (na livraria Mundo Fantasma) a paixão e o interesse pela nona arte tem sido a constante que justifica a aposta numa galeria.

Expor e comercializar originais e reproduções de qualidade de banda desenhada e ilustração é o objectivo fundamental deste projecto. Dos mais prestigiados autores mundiais, aos novos valores em ascensão na banda desenhada actual, passando pelos autores nacionais, o programa de acção pretende desenvolver, ao longo do tempo, um panorama coerente e intenso da Banda desenhada enquanto arte maior.

As fotografias são do Mário Venda Nova.