Portugal

Portugal é a história de três gerações. Melhor, são histórias de três gerações. Histórias contada a três tempos por Simon – o neto -, Jean – o pai –, Abel – o avô – em cada um dos capítulos do livro. Embora o protagonista seja (quase) sempre Simon na sua busca pelas raízes familiares e de si próprio.
Com eles, através deles, Cyril Pedrosa – também ele neto de emigrantes portugueses, por isso o livro tem uma forte componente auto-biográfica, embora ficcionada – traça retratos distintos que se vão cruzar a vários níveis.
O retrato das relações (degradadas ou pelo menos descuidadas) de Simon com a sua arte, a sua companheira, o seu pai, a sua família. Simon, a quem a tal vinda a Portugal força, empurra, obriga a colocar ordem na sua vida. A reencontrar-se para se encontrar com os outros. Para isso terá de fazer opções, abraçando uns, afastando outros, tudo numa busca (por vezes em desespero) de si próprio, das suas origens, das motivações perdidas, de um sentido para a sua existência.
Para o conseguir, terá que fazer uma longa introspecção, reatar a relação com o pai e a família, relembrando ou descobrindo histórias passadas, quando o nome da família ainda era Mucha, percebendo os motivos para tantos choques familiares, para tantos silêncios, para tantas ausências.
Um retrato terno, um retrato sincero, um retrato sentido, um retrato íntimo, sem nada de bilhete postal, cliché ou estereótipo, que não julga nem parodia, mostra apenas, com uma sinceridade desarmante e um realismo inegável.
Obra madura e complexa, profunda e muito pessoal, que a espaços se adivinha sofrida, grave na temática e no conteúdo mas também ligeira na forma desarmante como expõe, como se expõe, Portugal, ao longo das suas intensas 260 páginas, que ocuparam Pedrosa durante quase três anos, revela um autor de excelência, que brilha a vários níveis. Desde logo graficamente, pelo soberbo uso de cores directas, em aguarelas com efeitos de transparências, pontuadas aqui e ali por um traço fino, que, sem se impor ou sobrepor, ajuda à sua definição, pelo grafismo que parece dotado de movimento constante e que parece transportar o leitor através das páginas, obrigando os seus olhos a seguir a acção e os protagonistas. | Pedro Cleto


Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa

Portugal de Cyril Pedrosa


Data

De 19 de Novembro a 16 de Dezembro de 2012


As fotografias são do Mário Venda Nova.